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01 de Julho de 2015 Publicado por: Cristina Braga Categoria: Economia

E aí, sua conta de luz aumentou muito?

Segundo o IBGE, conta de luz subiu 40% este ano. Em doze meses, aumento chegou a 60%
Foto: Divulgação

Por Cristina Braga

Quem já não se desesperou ao pegar a conta de luz nos últimos meses e verificar que houve aumento? A alta nos preços da energia elétrica começa a preocupar consumidores e comerciantes, principalmente do setor de serviços, de forma generalizada

Em maio, o calote na conta disparou por conta dos reajustes e da alta da inflação, que chegou a 13,9% em relação ao mesmo período do ano passando, segundo dados do SPC Brasil. Lembrando que estamos operando com a bandeira tarifária vermelha, em condições mais custosas de geração de energia.

Neste cenário, o aumento desemboca no reajuste dos serviços, para os quais se esperava uma desaceleração. O setor, inclusive, já acumula alta de 8,32% nos 12 meses encerrados em abril. “É um custo para toda a sociedade, tanto no comércio quanto na indústria, a exemplo dos segmentos de cimento e alumínio, em que a energia é um insumo muito caro para esse tipo de atividade”, afirma o professor de Economia da PUC (Pontifícia Universidade Católica) Claudemir Galvani.

No comércio, a energia elétrica representa 5% do preço de venda. Nessa matemática, se uma mercadoria custa R$ 100, os gastos com eletricidade representam R$ 5 desse valor. Agora, se tivermos um aumento de 40%, significará um repasse de mais R$ 2 para o consumidor. “É claro que numa empresa de dry clean (lavanderias) o custo será bastante significativo, então só resta repassar o valor para o preço do serviço. Já em um negócio que tenha muitos concorrentes, é arriscar em não perder o cliente para o vizinho”, analisa Galvani.

Para o professor da PUC, a vilã dessa conta alta é a falta de investimento do governo de 20 anos para cá, que só privatizou a distribuição e não a geração de energia. E com a queda acentuada no armazenamento de água nos reservatórios das principais hidrelétricas do país, pedimos socorro às termelétricas, que queimam mais carvão mineral e gás – por isso, pagamos a tarifa mais cara.

Sustentabilidade

Para driblar a crise, a saída seria mesmo a utilização da energia solar no telhado das casas. Ao fazer as contas para uma família de quatro pessoas, a instalação dos painéis solares sairia por R$ 2 mil, em média. “Um bom investimento que em dois anos pode se pagar”, afirma o professor, que também defende o uso deste tipo de energia pelas habitações populares, dentro da educação socioambiental.

O veterinário Jorge Paulo de Moraes, morador do Parque São Domingos, reúne as contas de luz do ano passado. Em dezembro de 2014, gastou 4.901 KW e pagou R$ 1.962,00. “Em maio consumi 4.355 KW pagando R$ 1.962,00, ou seja, aumento de 33% com movimento reduzido e sem mudar nada na rotina”, compara. Para driblar o aumento, o veterinário passou a desligar tudo o que não estiver em uso.

O jeito brasileiro para economizar varia de cidadão para cidadão. Cansado de ver a conta alta, o engenheiro eletrônico Walter Luiz Silva resolveu inventar um aparelho parecido com um benjamim que promete reduzir, em média, 20% do consumo de energia da casa. Segundo o inovador, “basicamente faz a correção da energia reativa que vem pela corrente elétrica. Basta plugá-lo na tomada e, em seguida, plugar o eletrodoméstico nele”. O aparelho - ainda em fase de captação de recursos - deve funcionar como um filtro de energia, utilizando apenas o necessário para que o eletrônico funcione. Quanto ao preço, ele “estima que a versão de 1,5 KVA seja vendida para o consumidor final na faixa de R$ 90 a R$ 130 e de 5 KVA entre R$ 160 e R$ 180”.

Dicas para economizar

O engenheiro elétrico Luís Marcio Arnaut ensina alguns truques para economizar na conta. Segundo ele, considerando que consumo é potência multiplicada por tempo, há duas alternativas para cortar gastos: diminuir a potência, ou seja, a quantidade de equipamentos elétricos (lâmpadas e aparelhos doméstico), ou o tempo de utilização. “Não dá para mudar a potência do seu chuveiro ou deixar de usá-lo, mas é possível tomar banho em menos tempo, cerca de três minutos. Em uma família de quatro pessoas, isso é bem significativo se multiplicarmos por 30 dias”, avalia.

Com relação ao stand by, o engenheiro ressalta que a “redução é pequena”. Entretanto, dependendo do número de aparelhos eletrônicos que ficam neste modo, vale a pena tentar desligá-los quando não estiverem em uso para reduzir as despesas. Quanto à substituição das lâmpadas comuns pelas de LED, Arnaut enfatiza que é uma tecnologia promissora, mas ainda não é regulamentada no país. “Temos uma proliferação de fabricação e importação de lâmpadas desta tecnologia a baixo custo, que não estão de acordo com o que se supõe ser o LED, ou seja, iluminam igual ou menos num espaço muito grande de vida útil”.

Mudar equipamentos para o Selo A, criado pela Procel (Programa Nacional de Eficiência Energética em Edificações), é um investimento muito grande, porém compensador. “Ninguém vai jogar a geladeira fora para comprar outra. A questão é saber usar o que se tem. Não pode abrir a porta da geladeira muitas vezes nem superlotar de alimentos”, conclui o engenheiro.