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02 de Agosto de 2016 Publicado por: Folha Noroeste Categoria: Saúde

Unidades públicas de Saúde aguardam mudanças na região noroeste

Comunidade luta por novos postos e reformas nos equipamentos existentes
Foto: Edson Vieira/Folha Noroeste

Publicada às 12h01

Por Cristina Braga

O que a Lapa e o Jaraguá, bairros da região noroeste, têm em comum? Ambos esperam a construção de Unidade Básica de Saúde (UBS). No primeiro caso, já ficou crônica a espera reivindicada, inicialmente, pela Associação dos Amigos da Lapa de Baixo, além da promessa dessa gestão municipal de criar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), ao lado do Pronto Socorro da Lapa.

Em menos tempo, no Jaraguá, o morador João Ricardo Silva aguarda, há um ano, a UPA City Jaraguá, na Estrada de Taipas, que, segundo placa instalada no local, deveria estar concluída desde abril deste ano. Com o valor estimado em  mais de R$ 5 milhões, a Construtora Massafera - encarregada da obra, afundada em problemas financeiros – “não poderá dar continuidade à construção”, sinaliza a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (SIURB). “Está em negociação com nova construtora, também participante do processo licitatório, para que assuma a empreitada o mais rápido possível”, diz a secretaria.

Para o ano que vem

A comissão pró UBS Bento Bicudo, da Lapa de Baixo, ainda no papel, tem intensificado os trabalhos com os conselhos municipais para garantir o lugar na fila das demandas da população de saúde. O coordenador da comissão e conselheiro gestor de saúde Lapa/Pinheiros, Paulo Sergio Favero, acredita que o bairro é privilegiado por já possuir terreno definido de 1.600 m² e laudo de vistoria realizada pela Prefeitura, em 2014. “Reúne boas condições de receber o equipamento público, tem fácil acesso e é plano, embora esteja sendo ocupado por uma transportadora.”

Em reunião realizada entre a comissão e a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), em abril, um gestor da pasta mostrou planilha onde todos os investimentos municipais para a saúde estão com insuficiência de verbas, pois dependem do Ministério da Saúde. E o pior: a UBS Bento Bicudo sequer constava na lista.

Precariedade

Favero também não se conforma com a situação das UBS Vila Anastácio e Vila Anglo, em frente ao Allianz Parque, que são as mais ‘gritantes’ da região.

A de Vila Anastácio enfrenta problema de infraestrutura e, ainda, processo judicial, pois a Prefeitura pediu a desapropriação do imóvel para reformar a unidade alugada desde a gestão passada, “porém não há outro local disponível que seja mais adequado”, diz Maria Bertolina Morais, do Conselho de Saúde da Lapa.

“Não bastasse o imbróglio jurídico, a UBS Vila Anastácio é uma torre de babel com funcionários das esferas municipal, estadual e federal e sofre por falta de equipamentos e computadores”, relata o coordenador Paulo Favero. Uma trégua para o problema pode vir do vereador Gilberto Natalini (PV), que está disposto a colocar emenda parlamentar de R$ 50 mil para a reforma.

O mesmo cenário ocorre com a UBS Vila Anglo, onde a Secretaria Municipal da Saúde tenta, há um ano, locação de um novo prédio no bairro.

Impasse

O bairro da Lapa contabiliza cerca 190 mil idosos, o maior da zona oeste. Reabertura muito esperada entre os moradores, o Hospital Sorocabana foi devolvido à Prefeitura, por 20 anos, em decreto assinado no dia 1º de abril pelo Governo do Estado. Enquanto a municipalidade não ‘abraça’ a reforma, a Comissão Pró-Saúde do Idoso da Lapa (ComidLapa), entidade civil com apoio da OAB Lapa, luta pelo funcionamento total do complexo hospitalar, mesmo sem esperar as ações do poder público. “A comissão vai trabalhar junto com a SIURB e a Secretaria Municipal da Saúde, mas temos um engenheiro voluntário que analisa o projeto de reforma, esquadrinhado em 2013, feito pelo Estado, para ver a adequação do espaço”, afirma Marcia Lucchesi, coordenadora da ComidLapa.

Enquanto isso é bom lembrar que a Assistência Médica Ambulatorial Sorocabana (AMA), instalada ao lado do hospital, absorve pacientes vindos de toda a zona noroeste. A prioridade ali, segundo Lucchesi, “seria uma ala para idoso e o resto como hospital geral, explicando, ainda, que até o final deste ano, teremos um parecer sobre as sete plantas”. Nesse tempo, um abaixo-assinado circula reforçando com a comunidade o pedido de reabertura do prédio, que deve ficar para a próxima gestão.

Prontuário eletrônico

Para a zona norte, na Brasilândia, que pleiteava hospital público, uma grande conquista está ocorrendo - junto com a obra da Linha 6 Laranja do Metrô, que ficará no mesmo terreno - e disponibilizará 250 leitos. No entanto, o desafio para gestão pública é o distrito do Jaraguá, que tem população de 200 mil habitantes e conta apenas com o Hospital de Taipas.

Em Pirituba, a comunidade espera, desde a gestão do prefeito Kassab (2008-2012), nova reformulação que melhoraria as condições do complexo hospitalar Dr. José Soares Hungria. A construção de seis andares seria erguida em regime de parceria público-privada. Segundo um funcionário do local, “na gestão Kassab chegou até a fase de licitação, mas morreu por ai”.

Em 2014, projeto de ampliação e reforma retomou com novo fôlego, com abertura de nova licitação para o projeto executivo na ordem de R$ 24.338.567,58. Segundo Valdimir Mantovani, da Supervisão Técnica de Saúde Pirituba/Jaraguá/Perus, “deve sair [a licitação] até setembro deste ano” revela. Ao lado, os moradores aguardam o andamento de uma UPA em fase final, que deve ficar pronta,  também, em 2016.

Outro avanço foi a implantação do prontuário eletrônico nas Unidades Básicas de Saúde (UBS/AMAs). “Em junho, chegaram os equipamentos e estamos na fase de treinamento dos profissionais. Isso vai evitar duplicidade no receituário e exames”, comemora Mantovani.