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20 de Abril de 2017 Publicado por: Folha Noroeste Categoria: Acontece

Envelhecimento da população é desafio para políticas públicas melhorar qualidade de vida

Prefeitura quer transformar São Paulo na cidade amiga do idoso
Idosos realizam ginástica no CDC do Jd. Líbano, em Pirituba. Foto: Divulgação

Publicado às 9h35

Por Cristina Braga

Longe de ser uma cidade adequada para o idoso, que ainda sofre com a falta de infraestrutura e medidas que garantam a sua segurança e mobilidade urbana, o plano de metas, apresentado no último dia 30 de março pelo prefeito João Doria à Câmara Municipal, tem entre os 50 compromissos elencados o de conquistar o selo pleno do programa São Paulo Amigo do Idoso.  De fato, o envelhecimento populacional, em todas as prefeituras regionais, aponta a necessidade de ações efetivas, para suprir as necessidades de saúde da população idosa. 

O projeto Cidade Amiga do Idoso (Organização Mundial da Saúde – OMS/2008) norteia ações intersetoriais para atender às necessidades relacionadas ao envelhecimento com oportunidades para saúde, participação e segurança. Na região noroeste, entre Pirituba, estão sendo projetadas seis novas Unidades de Referência à Saúde do Idoso – URSI, 19 novas instituições de longa permanência distribuídas, 16 centros-dia, além da ampliação do Programa de Acompanhante de Idosos – PAI, com novas equipes, ao longo dos próximos quatro anos.

Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social, o último censo realizado pelo IBGE, em 2010, a Prefeitura Regional da Lapa (em seus seis distritos) tinha população acima dos 60 anos com quase 54 mil habitantes e a Prefeitura Regional de Pirituba/Jaraguá (em seu três distritos) com 46.169.

Para atender essa demanda, a Lapa ganhou reforço nos últimos dois anos com equipamentos como o AME Idoso – Ambulatório Médico Especializado, voltado para a terceira idade e também um centro-dia com múltiplas atividades em parceria com a Associação Reciclázaro e o município. No entanto, bem ali no coração do bairro, há luta para uma ala do Hospital Sorocabana, seja exclusivamente dedicada a atender essa camada da comunidade. Fechado desde 2010, abaixo-assinado coletou, este ano, oito mil assinaturas realizado pela Comissão de Idosos da Lapa (Comid) e encaminhado ao Secretário Municipal da  Saúde, Wilson Polara, pela reabertura do complexo hospitalar.

Comissão de idosos na Lapa prepara série de atividades para a população. Foto: Cristina Braga/ Folha Noroeste

Subutilização do espaço

Essa mesma comissão também está empenhada em implementar no Centro de Memória e Convívio  (antiga biblioteca Cecília Meireles), no alto da Lapa,  um núcleo  com atividades de artesanato, ginástica e cultivo de horta .“ A ocupação deste espaço foi sugerido pelo Prefeito  regional Carlos Fernandes porque estava ocioso; não  será ‘creche’, mas atividades programadas e dirigidas por especialistas até o final deste semestre,define Marcia Lucchesi, uma das integrantes da Comid. Parcerias com a iniciativa privada já estão sendo firmadas para concretizar a cartilha de prevenção de doenças e doação de computadores  “Vamos formar um grupo de mulheres para troca de experiências, palestras e orientação sobre como  manusear o celular, lidar com aplicativos,” avalia.Ainda na opinião de Luchessi, o idoso aposentado muitas vezes, está sendo o provedor da família e esquece de si, quando às vezes, até é explorado ou roubado em certas circunstâncias”.

Lapa de Baixo ganha PAI 

A Associação Amigos da Lapa de Baixo (AALB) apoiou em carta aberta à Comid e encaminhada posteriormente à supervisão técnica da saúde da Lapa, a iniciativa de levar o PAI (Programa Acompanhante do Idoso) para aquela região. Segundo Hotelo Telles de Andrade, presidente da AALB, equipe do PAI não chegava até a Lapa de Baixo, “sendo importante frisar que continuamos sem UBS e sem verba para tal”, lembra. A supervisão garantiu para Comid que a equipe técnica do PAI no bairro do Jaguaré também atenderá idosos na Lapa de Baixo, até que o local tenha unidade própria.

Ao contrário da lapa, Pirituba não possui nenhum centro-dia mas a Rede de Atenção da Pessoa Idosa, entidade sem posição política- partidária fundada há mais de 10 anos no local,  visa promover a intercâmbio entre as unidades de saúde e implantar a prática de visitas solidárias. A Rede está realizando folhetos explicativos e trabalho conjunto um grupo intitulado PAVI- Programa de Atenção e Valorização do Idoso intermediando cadeiras de rodas, fraldas e oferecendo orientação aos familiares de denúncias de maus tratos. No segundo semestre promoverá curso voltado a cuidadores, gratuito, em parceria com Associação Reciclázaro no Centro Esportivo de Pirituba, além de seminário sobre demências.  

Maria Aparecida Morbidelli Muza, especialista em gerontologia diz que a região sofre com carência de instituições de longa permanência (ILPI). "O idoso acamado chega no ILPI , por meio  do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e Ministério Público muito fragilizado, família não pode cuidar, diz e emenda: "O ideal seria ter duas instituições destas por distritos".        

Por outro lado, ela tem larga experiência em promover quatro bailes  ao ano durante 11 anos para sociabilizar o idoso e tirá-lo  para fora de casa na Casa de Nassau, em Pirituba. "Quanto menos o idoso participa das atividades sociais como dançar, mais suscetível fica às doenças". Ainda para a Muza "O Brasil envelheceu e as políticas públicas não acompanharam, mas acredito na evolução do trabalho nesta área", finaliza.

Já Helio Toledo gestor da Associação São Domingos Sávio que faz um trabalho social  com o Núcleo de Convivência do Idoso, no CDC Líbano, em Pirituba diz que a maior atividade além de danças, coral e capoterapia(capoeira direcionada a terceira idade) é mesmo a convivência, a interação social com a família e na comunidade, sem criar dependência. “ As políticas públicas são omissas nos direitos do idoso  e ele por sua vez, precisa se informar mais sobre seus direitos, mas muito já foi conquistado”, pondera o gestor.