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31 de Julho de 2017 Publicado por: Folha Noroeste Categoria: Regional

Prefeitura Regional Lapa é destaque em reportagem sobre corrupção e publicidade ilegal

CBN expõe máfias em regionais que fazem “vista grossa” contra Lei Cidade Limpa
Fiscais da prefeitura são pagos para liberar propaganda irregular em SP. Foto: Pedro Durán/CBN

Publicado às 12h

Por Gabriel Cabral, com informações da CBN

Funcionários, ex-funcionários, chefes de gabinete e até os prefeitos regionais não conseguiram fugir da denúncia publicada nesta segunda-feira, 31 de julho, no site da rádio CBN. Na matéria, o jornalista Pedro Durán se passou por um organizador de feirões de automóveis e revelou um grande esquema de corrupção que libera publicidade ilegal no munícipio. As regras para propaganda nas ruas são determinadas pela Lei Cidade Limpa.

Para comprovar todos os dados obtidos, o jornalista filmou diversas conversas feitas com funcionários do setor público e intermediadores que administram os esquemas. Uma das prefeituras regionais mais citadas da reportagem é a da Lapa. Leandro Benko, irmão do secretário estadual de Turismo em São Paulo, Laércio Benko (PHS), é chefe de gabinete na regional lapeana, ganha R$18 mil/mês e é um dos líderes do arranjo na região. Segundo os cálculos de Benko, com menos de R$7 mil por fim de semana, tendo em vista que o valor já cobre os “custos” de todos os envolvidos, inclusive o prefeito regional, já que, para que o risco seja zero, todos precisam participar. "Eu tenho que abrir isso com o prefeito regional, que eu não posso fazer isso sozinho, aí tem o pessoal da fiscalização. São várias... Vamos dizer assim: são vários 'pratos de comida' que a gente tem que dividir, entendeu?", diz.

O esquema também ocorre em outras regiões como Vila Prudente, Mooca, Cidade Tiradentes e outros. Vários dos atravessadores, como são chamados aqueles que intermediam a ação entre empresas promotoras e agentes da prefeitura, garantem que a “vista grossa” à publicidade ilegal nos bairros pode ser feita em qualquer lugar da cidade. Os atravessadores também são ex-funcionários que saíram dos cargos públicos e abriram empresas de fachada para realizar o conluio. É o caso de Dalvo Rodrigues Silva, ex-chefe de gabinete da Lapa. A reportagem da CBN também informa que uma das maiores empresas que pagam propina é a CPP. Em uma reunião com o repórter disfarçado, o sócio da empresa, Carlos Alfredo, explica que o esquema só funciona se todos na linha de fiscalização estiverem envolvidos.

Benko chegou a citar José Fernando Gouveia, chefe de gabinete da Prefeitura Regional Pirituba/Jaraguá, como alguém que pode facilitar o arranjo nos bairros da pasta onde atua.

Para entender o esquema

Entender como ocorre o conchavo não é tão difícil. Ela começa com grandes empresas, como vendedoras de automóveis e construtoras, que pagam empresas promotoras para realizar ações de divulgação. Para poder realizar o serviço e não ganhar multas pelas publicidades ilegais, essas empresas pagam para agentes da prefeitura, seja diretamente ou indiretamente (por meio dos atravessadores), para que os fiscais passem despercebidos e ignorem as ilegalidades nas divulgações, que vão da panfletos disfarçados de jornais até bandeiras, banners e setas.

Engana-se quem acha que o esquema partiu da gestão Doria (PSDB). Esse tipo de corrupção na cidade já ocorre há anos. Os valores da propina são altos e podem dobrar o preço das ações promocionais para os anunciantes. Segundo a reportagem, “o dinheiro alimenta uma máfia organizada que atua em todas as regiões da cidade de São Paulo há muitos anos”.

Foto: CBN

Valores

De quanto é o lucro? As setas que indicam o apartamento decorado, o plantão de vendas ou o feirão de carros custam de R$ 60 a R$ 100 só de propina por final de semana. O valor é o mesmo para panfletos disfarçados de jornais, livremente distribuído nos semáforos. As bandeiras que marcam os feirões são mais baratas, podem sair por R$ 50 dependendo da região. No caso das faixas, que precisam de um promotor de cada lado para segurar, os fiscais cobram até R$ 200 para não aplicar as multas, que começam em R$ 10 mil, informa a matéria.

Confira na íntegra aqui.

Prefeito regional da Lapa

Na manhã desta segunda-feira, após a denúncia ganhar espaço no G1 e outros grandes portais, Carlos Fernandes, prefeito regional da Lapa, já compartilhou em sua página no Facebook a matéria, entretanto, não acrescentou nenhum comentário.

O G1 também publicou que o prefeito João Doria já ordenou o afastamento dos funcionários públicos denunciados na reportagem. Leia aqui.