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02 de Agosto de 2017 Publicado por: Folha Noroeste Categoria: Regional

Acessibilidade dá os primeiros passos para conscientização na zona noroeste

Região prepara primeiras ações para inclusão de pessoas com deficiência
Foto: Luiz Setti/ Arquivo JCS

Publicado às 9h30

Por Cristina Braga

O que Seattle, Montreal, Las Vegas e Londres têm em comum? São exemplos de melhores cidades em acessibilidade do mundo. Por isso, acolhe milhares de turistas com deficiência. Vias adaptadas e sinalizações adequadas tornam também a cidade de Socorro, interior de São Paulo, de quase 40 mil habitantes, referência nacional em turismo acessível às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, inclusive, idosos, crianças e gestantes. Praticamente, todos os pontos e equipamentos turísticos da cidade foram ou estão sendo adaptados para permitir o acesso de pessoas que, usualmente, não poderiam participar das atividades ou visitar os atrativos.

Na zona noroeste, em Pirituba, o cadeirante e morador da região, José Iraque (55), logo dispara o pior problema que ele encontra no bairro: "começa pelas calçadas que são ruins – até mesmo para quem não tem dificuldade”, diz. Iraque aponta outros obstáculos, como conseguir emprego, “esbarro em empresas que não estão preparadas para acessibilidade, pensam que pagaram mais pela adaptação”, e atividades diárias nas ruas, “também somos consumidores, ninguém pensa que podemos entrar numa loja, escolher produto, comprar e gerar renda", desabafa.

Não tem nenhuma norma padronizada para acessibilidade em calçadas, dificultando, enormemente, a circulação de pessoas com deficiência nos bairros, “onde a própria população não tem conscientização da preservação de seu espaço”, pontua o diretor da Associação dos Excepcionais São Domingos Sávio, no parque Maria Domitila, Helio Toledo. É bem verdade que um bom design habilita, um mau design incapacita na inclusão.

Pirituba se prepara

Embora as prefeituras regionais de Pirituba/Jaraguá e Lapa não tenham nenhuma acessibilidade, todas têm sinuosas escadas para chegar ao gabinete dos respectivos prefeitos. As duas regiões preparam ações para a comunidade. Marinalva Cruz, da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência – SMPED, esteve na Associação Comercial (distrital noroeste), no último dia 20 de julho, para proferir palestra sobre o assunto. Ela enfatiza a importância da população entender um pouco mais da pessoa com deficiência. O comércio que não sabe atender um surdo ou cego perde clientes. “Adaptação dos espaços não pode ser visto como despesa e, sim, investimento. Rampas, banheiro e altura do balcão de atendimento e caixa são questões pensadas num primeiro momento, além de piso tátil, existe a identificação das áreas de risco e capacitação de seus funcionários, desafios a serem superados por todos”, conclui. “O Brasil avançou no que diz respeito à legislação, mas na prática há muito que fazer”, comenta Marinalva, que apresentou um dado interessante, "a maioria das pessoas não nasceu com deficiência – mais de 90% adquiriram com o passar do tempo".

Ação educativa

Em Pirituba, há um estudo envolvendo a Prefeitura Regional e comerciantes para fazer ação educativa, esclarecendo maneira correta de realizar os acessos aos estabelecimentos. A Avenida Benedito Andrade poderá encabeçar a sensibilização dos comerciantes sobre a importância de possuir recursos arquitetônicos que permitam o acesso das pessoas com deficiência em seus estabelecimentos. Segundo dados do Censo de 2010 do IBGE, no município de São Paulo quase três milhões de pessoas possuem algum tipo de deficiência. Nos distritos de Pirituba/Jaraguá são 95.812 deficientes visuais, 28.637 possuem deficiência física, 20.615 auditiva e 5.164 intelectual.

Lapa 21

Unidos pela mesma causa, várias entidades na Lapa, junto com a comunidade, se empenham num projeto de inclusão batizado de ‘Lapa 21’. O diretor de Planejamento de Transporte da SPTrans, Tuca Munhoz, diz que “a iniciativa é implementar malha de acessibilidade no entorno do terminal de ônibus da Lapa como primeira etapa, por isso, foi escolhida a Rua Catão no caminho que vai do terminal até a Biblioteca Mário Schenberg”. Segundo Munhoz, o trajeto foi escolhido pela importância dessa biblioteca e pelo fato desse equipamento cultural ter 700 obras de livros em Braille. Entre o terminal e a biblioteca se encontra o Centro Especializado em Reabilitação II – CER, localizado nas dependências do Hospital Sorocabana e próximo à Rede de Reabilitação Lucy Montoro, do Estado.

Munhoz acrescenta que “o projeto poderá ser replicado em todos os terminais urbanos da cidade, propiciando melhor qualidade de acesso também aos idosos ao transporte público municipal”. A CPTM possui um cronograma de acessibilização para até 2020 na região. Segundo a empresa, “há licitação para executar o projeto de implantação de itens de acessibilidade em 34 estações, incluindo Vila Clarice, na Linha 7-Rubi. Nessa estação, além dos itens para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, como rampas e sanitário exclusivo, também serão realizados serviços de nivelamento da plataforma. Após a conclusão do projeto executivo, será contratada a empresa que realizará as obras”, justifica em nota.

Protótipo em ação

O SENAC Tito, um dos parceiros do projeto Lapa 21, está contribuindo no desenvolvimento de um aplicativo – o Vitaliza –, que aguarda patrocínio para ser colocado em funcionamento. “O objetivo é criar cultura de acessibilidade”, explica a professora Adriana Parravano, que junto com seus 12 alunos bolaram o app. "A ideia é saber se um restaurante, por exemplo, consegue atender um deficiente, se tem cadastro em Braille, armazenando dados com um descritivo de cada local, e se atendem a norma técnica da ABNT 90/50, que estabelece o atendimento com os padrões necessários do público com deficiência”, afirma. Animada com a possibilidade de fazer rodar a plataforma, o projeto precisa de verba para apadrinhamento. "Varia de cinco a 80 mil, dependendo da plataforma”, afirma Parravano. Vale lembrar que acessibilidade não é só para quem tem deficiência, é para todos.

Sensibilidade

Vale lembrar que acessibilidade não é só para quem têm deficiência, é para todos. Teatros, restaurantes e comércios em geral precisam estar mais atentos e sensíveis ao assunto. Naõ adianta ter rampas e não oferecer cadeiras de rodas, por exemplo,às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. A OAB subeção Lapa entendeu bem isso e ganhará novo espaço priorizando a acessibilidade. "Temos muitos inscritos que são idosos e eles tês dificuldade em subir as escadas", diz Wagner Luis Dias. A nova sede deverá ser inaugurada em outubro.