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28 de Setembro de 2017 Publicado por: Folha Noroeste Categoria: Educação

Pesquisa aponta que 44% dos professores já sofreram agressão verbal nas escolas estaduais de SP

Dados divulgados nesta quarta-feira (27) mostram que 51% dos professores foram agredidos verbal ou fisicamente; há três anos, índice era de 44%
Professores também sofrem com discriminação, furtos e agressões físicas. Foto: Reprodução/TV Globo

Publicado às 9h40

G1 São Paulo

Um estudo sobre casos de violência nas escolas divulgado nesta quarta-feira (27) mostra que 44% dos professores da rede estadual de ensino de São Paulo já sofreram agressão verbal na instituição. A pesquisa feita a pedido do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) também indica que as agressões nas escolas, verbais ou fisicamente, aumentaram nos últimos três anos.

O levantamento realizado pelo Instituto Locomotiva a pedido do sindicato dos docentes paulista (Apeoesp), ouviu 702 professores de 155 municípios em todas as regiões do estado entre os dias 1 e 11 de setembro.

Segundo os dados, mais da metade dos docentes diz ter sofrido algum tipo de agressão. Entra elas, as mais frequentes são agressão verbal (44%), discriminação (9%), bullying (8%), furto/roubo (6%), agressão física (5%).

Procurada, a Secretaria Estadual da Educação de São Paulo contestou os dados da pesquisa e informou que irá ampliar o programa de mediação de conflitos (leia mais abaixo).

Entre os relatos de agressão física ouvidos pelos pesquisadores estão casos como o ocorrido no dia 12 de setembro na Escola Estadual Professor Orlando Perez, em São Carlos, no interior. Na ocasião, um adolescente de 15 anos agrediu um professor com um tijolo e danificou o carro dele.

Levando em conta o número total de profissionais de ensino da rede estadual, o percentual de docentes agredidos corresponde a 104 mil professores agredidos, de acordo com o levantamento.

A agressão ocorrida na escola em São Carlos foi registrada por câmeras de segurança (veja acima). O professor sai da escola e, quando volta, leva um chute do aluno. Mais adiante, ele é chutado novamente e recebe um murro. Num outro ângulo, o garoto pega um pedaço de tijolo e arremessa no carro do professor, que está estacionado. Ele repete a ação em seguida. Pela agressão ele foi suspenso.

No último levantamento, realizado no biênio 2013/2014, o índice de docentes vítimas de agressões foi menor: 44%. Professores que dão aula em escolas de bairros distantes são os que mais sofrem com a violência: 53% deles disseram ter sofrido algum tipo de violência, contra 47% dos que dão aula no Centro.

Os pesquisadores também ouviram pais de alunos (600), estudantes maiores de 14 anos (602) e pessoas em geral (649) de 14 cidades, totalizando 2.553 entrevistados.

Alunos

O levantamento também abordou os tipos de agressões que os estudantes da rede sofrem. O percentual foi menor que o visto com os professores: 39%. Segundo os pesquisadores, o percentual representa 802,5 mil estudantes que foram vítimas de agressão.

No último levantamento, de 2013/2014, o índice de alunos vítimas de agressões foi menor: 28%. Assim como os professores, alunos de escolas de bairros distantes são os que mais sofrem com a violência: 42% deles disseram ter sofrido algum tipo de violência, contra 27% dos que estudam no Centro.

Causas e soluções

Os entrevistados foram questionados sobre as causas e as soluções para a violência. Cada grupo elencou os três maiores responsáveis pela violência:

Professores

1- A educação em casa;

2-Drogas e álcool;

3-Conflitos entre estudantes.

Estudantes

1-Conflitos entre estudantes;

2-Drogas e álcool;

3-Falta de policiamento.

Pais

1-Conflitos entre estudantes;

2-Drogas e álcool;

3-Falta de policiamento.

População em Geral

1-Drogas e álcool;

2-Conflitos entre estudantes;

3-Falta de policiamento.

Questionados sobre as soluções, indicaram o que acham que é necessário investir:

Professores

1-Debater o tema em sala de aula;

2-Investimento em cultura e lazer;

3-Aumentar o policiamento ao redor da escola.

Estudantes

1-Aumentar o policiamento ao redor da escola;

2-Investimento em cultura e lazer;

3-Equipar as escolas com aparelhos e câmera de segurança.

Pais

1-Investimento em cultura e lazer;

2-Equipar as escolas com aparelhos e câmera de segurança;

3-Aumentar o policiamento ao redor da escola.

População em geral

1-Investimento em cultura e lazer;

2-Equipar as escolas com materiais didáticos e pedagógicos;

3-Aumentar o policiamento ao redor da escola.

Mediação

A Secretaria de Educação contesta os números de aumento da violência apresentados pelo sindicato e diz que aconteceu exatamente o oposto. "O que nós temos é a identificação de uma queda consistente nos últimos três anos no número de ocorrências de violência nas escolas, de acordo com o cadastramento feito pela própria Secretaria", afirma Wilson Levy, chefe de gabinete da pasta.

Para evitar novos casos de agressões, a Secretaria Estadual da Educação informou que todas as 5 mil escolas estaduais contarão com ao menos um educador capacitado para prevenir desentendimentos, aproximando alunos, educadores, equipe gestora e família.

Atualmente, a rede conta com 3,5 mil profissionais-mediadores (sendo 2,3 mil vice-diretores e 1,2 mil professores). O objetivo, segundo a secretaria, é que esse número salte para 6.795 educadores-mediadores (5 mil vice-diretores e 1.795 professores).

“A capacitação ocorrerá via curso específico elaborado pela Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores (EFAP), da secretaria. O objetivo é conhecer a fundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), além de aprender técnicas de justiça restaurativa”, disse nota divulgada na terça-feira (26).

Para definir qual escola vai precisar de mais de um mediador, a pasta irá usar um novo critério que mescla vulnerabilidade social e notificação de casos de violência. Ou seja, terão preferência escolas em locais mais violentos e com mais registros de agressões (incluindo física, indisciplina e bullying).