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01 de Novembro de 2017 Publicado por: Folha Noroeste Categoria: Regional

Lapa de Baixo ganha um Centro Temporário de Acolhimento para atender moradores de rua

Oitavo CTA da gestão Doria sofreu rejeição por parte de alguns moradores que temem o equipamento no local
Este mês uma unidade será inaugurada na Vila Leopoldina. Foto: Lucas Charnyai

Publicado às 12h

Por Cristina Braga

Antes mesmo de abrir as portas para a população, grupo de moradores da Lapa de Baixo, ao saber que um equipamento municipal – o Centro Temporário de Acolhimento (CTA) – seria instalado no bairro, ficou em alerta. Na tentativa de entender o que seria o CTA, a presidente da Associação Amigos da Lapa de Baixo (AALB), Rosana Altafin, reuniu a comunidade com representantes da Prefeitura, da área da saúde, no último dia 23, na sede da associação para entender como funcionará o local. Mesmo assim, os ânimos estiveram acirrados por parte de moradores que criticaram o CTA na Rua José Inácio do Rosário, 118.

No entanto, passado menos de 10 dias, a antiga garagem de carros, área de 25 mil m² na região, passou por uma reforma na parte interna (construção dos ambientes) e na cobertura da área externa para receber o CTA, inaugurado na segunda, dia 30, pelo criterioso prefeito que analisou cada item ali colocado, desde a qualidade do cobertor até os mínimos detalhes, como a falta de sabonetes nos banheiros. Os reparos para o local, com valor estimado em R$ 600 mil, foram doados pela XP Investimentos, sem contrapartida ao município. A implementação desse centro de acolhimento veio por meio de doações de outras empresas da iniciativa privada, como as Casas Bahia (linha branca), Caixa Econômica Federal (mesas e cadeiras), as chamadas “empresas cidadãs” (a custo zero para o município) e INAC (computadores).

Tudo novo e de primeira linha

O oitavo equipamento implementado pela gestão Doria funcionará 24h por dia e ofertará 200 vagas de acolhimento (60 mulheres e 140 homens) e 50 vagas de convivência durante o dia e acessibilidade. Administrado pela Associação Comunitária São Mateus (Ascom), por meio de parceria com a Prefeitura, priorizará as vagas aos moradores do entorno, principalmente os que vivem nos arredores da Ceagesp, na Leopoldina.

Os moradores da região em situação de rua poderão tomar banho, lavar suas roupas em máquinas, ter acesso às refeições (jantar, café da manhã e almoço), pernoitar, participar de cursos profissionalizantes e de capacitações voltadas para autonomia e receber encaminhamentos para outras políticas públicas, de acordo com a sua demanda.

 “Aqui tem cama, dignidade e casinha para acomodar os cachorros”, diz Cleusa Ramos, que trabalha com moradores de rua. Emocionada, ela conta que “há 10 anos de trabalho, nunca vi nada igual. Incrível”.

João Doria disse, na inauguração, que deve verificar outros galpões para implantar na região outros CTAs, além de um já confirmado na Vila Leopoldina, que deverá ser inaugurado este mês (novembro) junto com containers do Atendimento Diário Emergencial (ATENDE), que prestam atendimento a dependentes químicos. Pirituba também está na lista para receber o equipamento.

O prefeito regional da Lapa, Carlos Fernandes, esclarece que esse CTA tem um foco para um perfil de pessoas que estão numa transição para voltar ao mercado de trabalho. “Temos que ser solidários com essa população, o grande desafio é do poder público e também da sociedade.”  

Fernandes ainda emenda que “a Prefeitura vai atuar com o poder público para dar dignidade e trabalho no sentido de transformar a sociedade, não é o modelo da Boraceia”, referindo-se ao Centro de Convivência no Bom Retiro para tratamento e recuperação da população vulnerável, que acabou se transformando em minicracolândia com dependentes químicos perambulando pelas ruas do entorno. O bairro deverá, a poucos metros dali, segundo o prefeito regional da Lapa, ganhar a tão esperada Unidade Básica de Saúde (UBS), projeto que está em fase de estudo e orçamento para receber verba parlamentar, a ser erguida em terreno municipal.

Polêmicas à parte

Segundo o último censo da população em situação de rua, realizado em 2015, pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), a região da Lapa era a terceira com maior índice de distribuição espacial de pessoas pernoitando nas ruas, ficando atrás, apenas, das prefeituras regionais Sé e Mooca.

A moradora da Lapa de Baixo, Sueli de Oliveira, é contra o CTA no bairro, porque vê as ruas abandonadas. “Um deserto de final de semana, com assaltos na ‘toca de onça’ e no túnel da estação de trem da Lapa, que é sujo e perigoso. Vamos ter muitos problemas e moradores de rua chegando dos comércios. Sem condições de sair de casa, falta segurança.”

A mesma opinião é dividida com Edna Martins, que gostaria que não fosse esse o cenário de desconfiança pelo equipamento na Lapa de Baixo. “Mas não é isso que vai acontecer, é, na verdade, um albergue mudando de nome”. Vizinha ao CTA da Lapa de Baixo está a Faculdade Rio Branco.  O diretor da entidade, Alexandre Uehara, diz que “é favorável à recuperação das pessoas, mas, ali, há problemas de segurança e trazer dependentes, ainda que seja em algum estágio, pode intensificar o tráfico no local, onde circulam adolescentes sob risco dessas influências”, argumenta.

O CTA, segundo José Castro, chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Assistência Social, é um local que deve promover, em primeiro lugar, a jornada da autonomia. É para um público que já passou pela capacitação emocional e que deve, depois, ingressar no mercado de trabalho. “Essa capacitação é fundamental, porque lá é um ambiente que tem regras e cronograma de atividades, podendo permanecer por até por seis meses”, finaliza.