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19 de Dezembro de 2017 Publicado por: Folha Noroeste Categoria: Educação

Para 57% dos paulistas, Unicamp, USP e Unesp devem continuar gratuitas

Os outros 43% dizem que mensalidades deveriam ser cobradas de quem tem condição de pagar
EACH, da USP. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Publicado às 9h45

Folha de SP

Apesar da complicada situação financeira das três universidades de São Paulo, a maioria dos moradores do Estado afirma que USPUnicamp e Unesp devem continuar gratuitas, inclusive para quem pode pagar. Essa avaliação é maior entre os mais jovens e aqueles com ensino superior completo.

Segundo pesquisa Datafolha realizada de 28 a 30 de novembro, 57% dos paulistas acham que essas universidades devem ser sempre gratuitas. Os outros 43% dizem que mensalidades deveriam ser cobradas de quem tem condição de pagar.

Essa avaliação varia de acordo com a faixa etária. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 70% concordam com a gratuidade –o maior apoio. A tendência é inversa no grupo de pessoas com mais de 60 anos: 58% acreditam na cobrança para pessoas com condições.

Quanto maior a escolarização, maior é a concordância com a gratuidade. Entre as pessoas com nível superior, por exemplo, 62% são favoráveis ao não pagamento.

O retrato por renda é praticamente inverso. A maioria (51%) com renda familiar mensal de mais de dez salários mínimos afirma que as universidades deveriam cobrar dos alunos que podem pagar – um terço dos que ingressaram na USP em 2017 estão nessa faixa de renda.

O levantamento do Datafolha foi realizado em 68 municípios do Estado, com 2.006 pessoas de 16 anos ou mais, e a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

A gratuidade nas universidades públicas para a graduação e pós-graduação é definida pela Constituição Federal. Qualquer alteração nesse sentido, portanto, dependeria inicialmente de decisão do Congresso Nacional.

CRISE FINANCEIRA

USP, Unesp e Unicamp são financiadas por uma parcela fixa de 9,57% do ICMS e têm autonomia para gerir seus orçamentos. As três enfrentam crise financeira desde 2014, e seus gastos com salários têm consumido praticamente todos os repasses do Estado.

A USP, por exemplo, promoveu dois planos de demissão voluntária e congelou contratações a partir de 2014 –o que só foi retomado neste ano. A Unesp tenta sensibilizar o governo do Estado a liberar ao menos R$ 170 milhões para arcar com o 13º salário deste mês da maioria dos servidores.

Até novembro, os repasses do Estado superavam R$ 8 bilhões. Mais da metade do montante fica com a USP.
A maior parcela dos paulistas, 38%, considera a situação financeira dessas universidades ruim ou péssima, enquanto 36% a avaliam como regular. Somente 17% a consideram ótima ou boa, e 9% não souberam responder.

Entre os que reprovam a gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB), a avaliação de ruim e péssimo sobre a condição financeira das universidades sobe para 53%.

No mesmo levantamento do Datafolha, um quarto dos paulistas disseram desaprovar a gestão do tucano em geral.

Ele é pré-candidato à Presidência para 2018.

QUALIDADE

A despeito das finanças, as universidades são bem avaliadas, como um todo, por sete em cada dez moradores de SP. Já o ensino é apontado como ótimo e bom por 55% deles.

A visão da população sobre a disponibilidade de vagas é mais negativa. Um terço avalia esse aspecto como ruim ou péssimo e outros 39%, como regular. Juntas, as três universidades somam 177 mil alunos de graduação e pós-graduação. Nos últimos anos, elas têm sido cobradas por setores da sociedade a aumentar a inclusão de estudantes negros e vindos de escolas públicas.

Unesp –a primeira a aderir ao sistema de cotas, em 2014– e Unicamp já alcançaram a taxa de ao menos 50% de novas matrículas por alunos da rede pública. A Unicamp, que já adotava bonificação no vestibular, aprovou neste ano sistema de cotas para escola pública e negros.

A instituição que caminha mais devagar nesse assunto é a USP. No último vestibular, 37% dos ingressantes eram oriundos da rede pública. A universidade aprovou neste ano sistema de cotas, com avanço gradual nos percentuais de inclusão.

Deve chegar à reserva de 50% em 2021. Mais de 80% dos alunos de ensino médio de São Paulo estudam em unidades públicas.