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19 de Dezembro de 2017 Publicado por: Folha Noroeste Categoria: Política

Vice-governador Marcio França assumirá o posto do governo do Estado em 2018

Cargo deverá ser assumido após saída de Geraldo Alckmin, até abril
Marcio França cede entrevista exclusiva à Folha Noroeste. Foto: Lucas Charnyai

Publicado às 12h40

Por Cristina Braga

Pré-candidato às eleições para o governo do Estado pelo PSB, em 2018, deverá também comandar a maior cidade do Brasil, quando Geraldo Alckmin (PSDB) deixar, até abril, o cargo para disputar as eleições presidenciais. Casado, 54 anos, dois filhos, torcedor do Santos e advogado, foi vereador de São Vicente por duas vezes e também prefeito da cidade por dois mandatos, no último, obteve 93,1% dos votos válidos. Marcio França foi eleito por duas vezes deputado federal por São Paulo (2006 e em 2010). Contrariando a família de médicos, despertou para a política na Faculdade de Direito e nunca mudou de legenda, desde 1988. Conheça mais a trajetória dele.

Folha Noroeste: Acredita que existe preconceito do termo socialismo atualmente?

Marcio França: Sim, vivemos num período onde ser de “direita” era criminoso por conta da ditadura e, hoje, ser de “esquerda” é que é ser criminoso. Portugal, neste instante, é governador por um socialista. O socialismo moderno tem que garantir o estado com força e oportunidade. Não é verdade que as todas as pessoas tenham a mesma oportunidade no Brasil.

FN: Quanto espera que a bancada do partido possa crescer em 2018?

MF: Nunca tivemos um candidato a governador. Para eu poder ir para o segundo turno, tenho que ter acima de 10 milhões de votos no estado ou 20% da bancada de São Paulo, com 10 ou 12 deputados federais e também estaduais.

FN: O que o estado de São Paulo mais precisa?

MF: Há coisas que podem ser aperfeiçoadas, como a segurança pública. Temos policial e equipamento, o índice de homicídio despencou, mas a sensação das pessoas não é de segurança e, independente disso, garantir que as pessoas mais jovens não entrem no crime pode mudar o rumo da história.

FN: Para combater a criminalidade quando prefeito, implantou, em São Vicente, o programa de alistamento civil voluntário, reduzindo a criminalidade. Por que fez tanto sucesso?  

MF: Deu muito certo. São Vicente é uma cidade muito pobre, com violência, roubos e com cinco presídios. Percebi, na época, que 56% dos presos que cometeram delitos tinham 18 anos. A partir daí todos os rapazes nesta idade, em situação de vulnerabilidade, chamamos para uma convocação de alistamento civil remunerado para trabalhar com o poder público, permitindo a volta ao estudo em algum curso técnico. Deu nova perspectiva para a vida deles. Para cada grupo de 30 jovens, havia um tutor que era policial militar. Poderíamos testar na capital de São Paulo. Em uma região onde tem quatro mil jovens andando na rua, pode fazer a diferença.

FN: Além de vice-governador, acumula a pasta da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação e criou as Escolas de Economia Criativa (Etecris). Por que apostar nesse setor?

MF: Uma das coisas que percebi é que, no momento de crise, a Economia Criativa permite cursos mais curtos (de 3 a 4 meses), como produção de games, gestão de rede social, cinema, televisão, gastronomia, moda e design, que tem mais apelo ao jovem de hoje. Ao final do curso, pode se tornar um microempreendedor com a nossa ajuda.

FN: As vagas da Univesp - Universidade Virtual devem ser ampliadas?

MF: O conhecimento está na USP, Unicamp, Unesp e Paula Souza. Juntos, formam 420 mil alunos – ainda assim é para poucos. A rede da internet permitiu que esse conhecimento seja levado mais longe. Abrimos 60 polos e vamos abrir mais 160 em janeiro de 2018, ou 46 mil alunos, e, em julho de 2019, um total de 400 mil alunos recebendo educação de qualidade. Hoje, a maior universidade do mundo (Londres) é a distância. O fato do aluno não ter dinheiro não pode ser impeditivo, todos terão a mesma oportunidade.

FN: Qual sua análise sobre a reforma da previdência?

MF: Todo mundo sabe que precisa ser mexida pela expectativa de vida. O dinheiro dos que estão entrando para trabalhar não cobre os que estão aposentando. Mas tem que propor a reforma um presidente eleito dizendo, antecipadamente, o que vai fazer e qual é a reforma. O déficit se divide em metade pela previdência pública e outra metade da privada e o gargalo é a pública. E essa reforma mexe com as pessoas que mais precisam da previdência. Michel Temer não foi eleito para isso. Ele se aposentou com idade jovem, pois a regra é assim. Aqui em São Paulo, a previdência já foi reformada há muitos anos e foi para quem estava entrando para frente e não quem está no meio do jogo.  

FN: Como secretário de Turismo (em 2010) implantou projetos importantes. O Vale do Ribeira é a região mais pobre do estado e tem a maior reserva de mata atlântica. Regiões como essa poderão ganhar incentivo para desenvolvimento?

MF: São Paulo tem um fundo específico para turismo, ou seja, R$ 300 milhões/ano. Setenta cidades são consideradas estâncias, mas precisamos difundir mais, investir em comunicação. O paulista prefere nordeste, não sabe que em Cananeia pode ver golfinhos também. No Vale do Ribeira e o oeste paulista terei dedicação especial, com melhores acessos e investimentos.  

FN: A Linha 6 – Laranja do Metrô deve avançar com o consórcio chinês, que assumiu recentemente a retomada das obras?

MF: A capital tem, hoje, 83 Km de metrô e o governador está construindo mais 107, o problema é que 1/3 da verba vinha do governo federal, que quebrou e atrasou com empresas que pararam na Operação Lava Jato. Repactuamos as estações e licitamos de novo, outras empresas ganharam e vamos acelerar para que entreguem no prazo combinado. O Brasil está precisando de estabilidade emocional. Do ponto de vista nacional, passamos por período que havia muita expectativa de crescimento e, de repente, aquilo se frustrou, então, agora, não deve haver grandes crescimentos rápidos e, sim, gradual, porque com segurança jurídica há dinheiro e investimento.

FN: A Ceagesp deve mudar da Vila Leopoldina até 2020. Concorda com essa mudança?

MF: Sim, a posição geográfica do entreposto cabe perfeitamente em nosso parque tecnológico, que tem a cara de SP, e é em frente à USP. Queremos ser parceiros dessa iniciativa e o entreposto pode se transferir para o local com mais facilidade de acesso.

FN: O trecho do Rodoanel Norte será mesmo inaugurado no ano que vem?

MF: Acho que sim. O governador gostaria muito de entregar antes de sair e está na previsão.

FN: Despoluição do Rio Tietê: quais são os entraves?

MF: Estão sendo feitas diversas ações importantes, como desassoreamento, e evitar as enchentes, agora, a despoluição tem um componente diferente, é preciso saber as origens de onde chegam os afluentes: os córregos. Estamos fazendo uma PPP (Parceria Público Privada) interessante, notamos que empresas se interessaram em reutilizar a água do rio, despoluindo e, depois, vendendo para o Estado, que compraria de volta a água limpa.

FN: Desde os 25 anos, pensava em ser governador de São Paulo. Como pré-candidato ao governo, o que defende para o estado?

MF: Defendo que a gente mantenha essa seriedade, a responsabilidade fiscal que o governador conseguiu implantar em um Estado equilibrado, que paga suas contas, e vou tentar imprimir características da minha formação, que é diferente de Geraldo, neste tempo curto em que fico no posto. Mas num primeiro momento, vou mostrar que dá para fazer com toque mais social. Os sonhos ficam para depois, se, eventualmente, eu for eleito, aí vou mostrar que em dois anos teríamos uma mudança grave na segurança e aquele programa de alistamento (o de São Vicente) seria implantado. Não creio que construir mais presídios seja o caminho. O país é o terceiro lugar de maiores presídios no mundo, precisamos evitar que surjam mais. Sou muito desconhecido nas pesquisas, porém, hoje, quanto menos as pessoas conhecem político mais gostam dele. Espero que ocorra isso comigo também.

Confira vídeos: