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05 de Janeiro de 2018 Publicado por: Folha Noroeste Categoria: Regional

Prefeitura de SP abre matrícula em creche ainda em construção na Zona Oeste

Imóvel não tem telhado nem paredes. Pais acusam gestão Doria de divulgar redução da fila com 'creches inexistentes'. Secretaria da Educação diz que unidade ficará pronta no início do ano letivo.
Prefeitura afirma que unidade estará pronta para abrigar 220 crianças (Foto: Arquivo Pessoal/ G1SP )

Publicado às 9h
Portal G1 SP

A Prefeitura de São Paulo abriu matrícula para uma creche na Zona Oeste da cidade que está em construção. Na porta do imóvel, ainda sem telhado nem paredes, há um cartaz com o nome da futura instituição: CEI Maria de Lourdes.

Mãe de um bebê de seis meses, a funcionária pública Nádia Carvalho, disse ao G1 que as matrículas estão sendo realizadas na garagem de uma casa próxima ao imóvel onde será instalada a escola.

Prestes a retornar ao trabalho após a licença-maternidade, ela aguardava na fila há três meses. Na terça-feira (2), recebeu um telefonema informando sobre a conquista da vaga em uma creche nova, que não tinha telefone fixo. Acionou a Secretaria Municipal da Educação para conseguir o endereço, foi até o local na quarta (3) e se deparou com a obra.

“É um absurdo completo, ainda tem uma placa de aluga-se na porta. A impressão que eu tenho é que alugaram semana passada e começaram. Não tinha nada que pudesse parecer uma creche”, afirma.

Mais de 44 mil crianças esperam por vaga em creches na cidade de São Paulo.

Em nota, a Secretaria da Educação afirma que a organização escolar e distribuição das matrículas para o ano letivo na Rede Municipal de Educação "levam em conta todas as unidades que estarão em funcionamento no início das aulas."

"É o caso do CEI Maria de Lourdes, cujas obras estão em andamento conforme o cronograma previsto e estarão prontas para o início do ano letivo, sendo acompanhadas pela área de engenharia da Diretoria Regional de Educação Butantã."

Ainda de acordo com a pasta, a unidade atenderá 220 crianças.

O texto afirma que todas as unidades escolares da rede parceira devem ter seus projetos físicos aprovados pela Diretoria Regional de Educação, e que as obras são vistoriadas pela área técnica de engenharia da DRE.

Desistência

Nadia diz ter sido informada pela futura responsável pela unidade de que a estrutura estará pronta até início de fevereiro. E que, caso algum problema ocorresse, as crianças seriam realocadas.

“Fui lá ontem e falei para a pessoa que vai ser diretora. As três alternativas são péssimas. Ou vamos estar numa creche que não tem infraestrutura, ou vão nos colocar em uma super lotada, ou vamos ficar na mão.”

A funcionária pública conta que não aceitou matricular o filho na futura unidade e desistiu da vaga. Ela foi orientada a escrever em um papel as razões. “Assinei uma desistência que eu fiz à mão e o motivo que eu coloquei foi: a creche não existe. Agora preciso pensar o que fazer. Meu plano B é reativar o cadastro numa creche que exista para ver se me chamam”.

Na espera há mais de um ano, uma outra mulher que prefere não ser identificada, mãe de uma criança de um ano e dez meses, afirma que no site da Prefeitura seu filho apareceu como matriculado sem que ela tenha sido avisada sobre a liberação da vaga.

“Quando voltei do Ano Novo tinha mudado o status para matriculado e ninguém tinha me ligado. E eu não tinha saído do país. Não ligaram nem para mim nem para o pai do meu filho", relata.

Ao procurar pela Diretoria Regional de Ensino, foi informada de que seu filho ficaria na CEI Maria de Lourdes, e que a unidade passava por reforma. Foi até o endereço e viu que a escola estava sendo construída.

“Estou há um ano na fila e graças a Deus eu consigo esperar mais um pouco. Uma obra que não tem nem fundação, não tem parede, se acontecesse um acidente. É bem grave esse problema, muito mais do que as vagas. As vagas são números”, defende.