COTIDIANO

Sistema Cantareira completa dois meses em estado de alerta

Especialistas apontam para risco de novo racionamento no início de 2019; Sabesp nega possibilidade de ter que racionar, mas alerta para necessidade de economizar água

Publicado às 9h40

G1 São Paulo

Nesta segunda-feira (1º), completam dois meses que o Sistema Cantareira está em estado de alerta, de acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA). Na quinta-feira (28), o volume do sistema era de 34%.

O Cantareira é o maior reservatório de água da região metropolitana de São Paulo e abastece cerca de 7,5 milhões de pessoas por dia, 46% da população da região, segundo a ANA, orgão que regulamenta o setor.

Para o professor da Universidade de São Paulo (USP) Pedro Côrtes, a situação é “preocupante”. Por causa da falta de chuvas, este ano a reposição do volume do Sistema Cantareira não ocorrerá como seria necessário, segundo ele.

“Dependendo da evolução do clima no início do próximo ano, a recarga durante o verão poderá não ser suficiente e entraremos em uma situação crítica na estiagem a partir de março.”

Ricardo Moretti, professor pesquisador colaborador da Universidade Federal do ABC (UFABC) e atual professor visitante da Universidade Federal do Fio Grande do Norte (UFRN), concorda.

“Nós temos efetivamente um quadro preocupante em relação à perspectiva de uma crise hídrica muito forte novamente.”

Em nota, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informa que investiu R$ 6,8 bilhões desde 2014 em 36 obras que garantem água nova para a capital e a Grande São Paulo, mas ressalta que é importante que a população economize.

“É essencial que a população mantenha os hábitos de consumo consciente de água, evitando o desperdício, especialmente neste período de estiagem. A entrada de água nas represas principalmente a partir de abril no Sistema Cantareira tem ficado muito próxima das mínimas já registradas”, informa em nota.

“Situação preocupante”

Côrtes acredita que não há risco de novo racionamento, mas que as chuvas irregulares até outubro vão dificultar a recomposição do volume do Cantareira, e a temperatura elevada causará aumento do consumo de água.

“Em novembro, teremos chuvas um pouco acima da média e temperaturas um pouco mais baixas do que em outubro, mas, mesmo assim, mais altas em geral”, diz ele.

O professor alerta que o problema é a chegada de um novo El Niño de fraca intensidade a partir de novembro.

“Isso levará a um aumento da temperatura em São Paulo (com aumento do consumo de água), mas sem as chuvas de grande intensidade que poderiam caracterizar um El Niño mais forte”, diz ele.

Para Moretti, a Sabesp deveria insistir nas campanhas de economia de água e restabelecer a política de bônus.

“Já sabemos o que precisa ser feito para racionalizar consumo. A própria bonificação para quem reduz consumo teve resultados muito significativos.”

Sabesp já economiza água

O volume útil acumulado nos reservatórios do Sistema Cantareira atingiu a marca de 39,69% no dia 30 de julho de 2018. Dessa forma, estando abaixo de 40%, o Sistema Cantareira passou a operar, a partir do dia 1º de Agostinho, na Faixa 3: Alerta (volume útil acumulado igual ou maior que 30% e menor que 40%).

Na prática, a determinação do estado de alerta reduz a quantidade de água que a Sabesp pode retirar do manancial de 31 mil litros por segundo para 27 mil litros por segundo.

De acordo com a Sabesp, a diminuição do volume de água retirada não influencia na operação da empresa, porque a companhia já vem economizando e retirando menos água do que o limite máximo estipulado pela ANA.

Nos últimos 13 meses, a Companhia diz ter poupado 25% do que estava autorizada a retirar do sistema. Foram economizados 245,8 bilhões de litros do volume útil.

Mesmo assim, o volume de água do Cantareira cai em média 0,01% por dia. O período de seca provocado pela falta de chuvas não tem ajudado.

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