EDUCAÇÃO

Sala de aula com o mais elevado nível de socialização

Professor fala sobre a tão comentada Aprendizagem Ativa

Publicado às 10h35

Por Alessandro A. Pereira

Em cursos, palestras ou oficinas de formação de professores em Aprendizagem Ativa, perguntas sobre quem iniciou tal metodologia ou quais são as fundamentações teóricas para essa “novidade” são inevitáveis.

Falar sobre John Bergman e Aaron Sams, idealizadores do conceito de Sala de Aula Invertida, ou de Eric Mazur, propagador da consagrada Instrução entre Pares, sempre possibilita um bom pontapé inicial para as aplicações práticas com os docentes. Entretanto, dois aspectos muito interessantes podem ser discutidos a partir dessas indagações.

O primeiro diz respeito a essa propensão de acharmos que a Aprendizagem Ativa é algo que só surgiu recentemente nas mesas de debates educacionais. É como se o modelo tradicional de (não) relacionamento entre professores e alunos estivesse interiorizado no DNA docente, impedindo-nos de visualizar outras oportunidades didáticas de maneiras mais corriqueiras.

O segundo ponto é o mais grave. Ele nos dá a impressão de que a formação dos docentes em nossas licenciaturas – públicas ou privadas – não contempla as teorias e práticas pedagógicas tão fundamentais para o exercício dessa arte.

A respeito do surgimento dessa “estranha” modalidade de aprendizagem podemos viajar até a Grécia Antiga e encontrar, nos diálogos de Sócrates, elementos que já indiquem sua utilização ou mesmo antes, com as provocações de Protágoras e a atuação de outros sofistas. Já sobre a fundamentação teórica seria muito difícil ou até leviano, como já escutei de um colega, não recorrer à teoria psicogenética de Piaget.

Independentemente de ter ou não remetido a fatores como classes sociais, riqueza, pobreza ou mesmo religiões, é inegável que a distinção feita por Piaget sobre coação e cooperação nas relações sociais pode ser tomada como base para todas as nossas discussões sobre as Metodologias Ativas de Aprendizagem.

Provavelmente Piaget foi um dos maiores defensores, se não o maior, da prática de uma Aprendizagem em que o aluno se coloque como sujeito da construção de seu conhecimento. Quando discorre sobre a coação, esse célebre Educador, fala sobre a interferência negativa daquilo que chamou de autoridade ou prestígio na relação ensino aprendizagem.

Para ele, num ambiente em que os atores se colocam diante dessa configuração, onde alguns obedecem ou apenas veneram um dos interlocutores, a participação racional não acontece e, consequentemente, o conhecimento não se produz. Porém, em relações sociais de cooperação, nas quais o diálogo impera e a coordenação das operações de dois ou mais sujeitos são necessárias, surgem os elementos imprescindíveis do mais alto nível de socialização e dos desenvolvimentos cognitivo e socioemocional.

Dessa forma, mais do que a prática da Aprendizagem Ativa, quando promovemos nossos alunos ao protagonismo no processo de construção do conhecimento, estamos também entregando a eles o grau mais elevado de socialização.

 

Alessandro Augusto Pereira é professor e gerente acadêmico do Grupo Flamingo. Bacharel e licenciado em Ciências Sociais – Universidade de São Paulo, especialista em Gestão de Negócios – Universidade de São Paulo e Gestão de Sala de Aula e Formação de Professores – STHEM Brasil Laspau Harvard


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