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Grafite cria escadão das bailarinas em Pinheiros

Artista doa trabalho e colabora na recuperação de espaço na zona oeste paulistana

Publicado às 9h40

Agência Estado

Popularmente, ela era conhecida como Escadão da Alves Guimarães. Mas, há cerca de 30 dias, se tornou a Escadaria das Bailarinas. Em um mês, o novo nome já superou o antigo em menções no Instagram, além de atrair visitantes. O motivo é a recente intervenção do grafiteiro Kobra, que desenhou cinco bailarinas nos degraus e nos muros do espaço, em Pinheiros, na zona oeste da cidade de São Paulo.

A escolha do local surgiu após o artista percorrer diversos espaços da capital. “É a primeira vez que eu pinto uma escadaria. Ela é muito bonita, charmosa, tem uma área verde incrível, mas, obviamente, precisava ser recuperada”, conta ele. Por isso, a ação não só envolveu a pintura, mas também a reforma. O custo foi arcado por uma parceria com a empresa Bonafont, pela qual o artista participou de um projeto comercial em troca do patrocínio.

Agora, Kobra busca apoio para fazer o ajardinamento do local – que ainda não foi oficialmente inaugurado. “Quando cheguei lá, na escadaria, decidi transformá-la com esse tema, de bailarinas, justamente porque era um ambiente um pouco escuro, um pouco pesado, até com usuários de drogas”, conta. Inicialmente, a pintura ocorreria apenas nos degraus da escada, mas, durante o trabalho, moradores cederam seus muros para integrar a ação.

Ao centro da escadaria, está um retrato da bailarina Mel Reis, de 33 anos, que se apresenta com o Studio Gnética. Em 2014, a artista teve uma das pernas amputadas e, por isso, utiliza perna mecânica com uma sapatilha de ponta para dançar. “Quando me falaram (sobre o mural), eu pulei de alegria, pois meu artista favorito havia me homenageado dessa forma”, conta Mel. “O balé, para mim, realmente traz alegria e leveza, mas, vai muito além, me trouxe vida.”

Foto: Reprodução

Nos muros, Kobra desenhou as irmãs Isabela e Yasmin de Souza da Silva, respectivamente de 13 e 15 anos, que integram o Ballet Paraisópolis, desenvolvido pela coreógrafa Monica Tarragó. Há, ainda, mais duas dançarinas no local. Uma delas é uma releitura da escultura A Pequena Bailarina de 14 Anos, do francês Edgar Degas, que integra o acervo do Masp. Já, a outra, retrata a bailarina russo Maya Plisetskaya, que integrou o Balé Bolshoi e já foi tema de um mural do Kobra em Moscou.

Uma das admiradoras da obra é a bailarina e professora de dança Rafaela Monteiro, de 31 anos. Quando soube que a peça estava pronta, chamou um fotógrafo e foi ao local fazer registros. Detalhe: todos com collant e saia tutu. “Nasci pra ser bailarina. É só por a sapatilha e já sinto bater o meu coração.”

 

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