REGIONAL

Lapa vive dia caótico e acumula prejuízos no comércio; região foi líder em alagamentos

Publicado em 11/02, às 12h10

Por Priscila Perez

Choveu, e muito, na Lapa. A região foi a mais castigada pelo temporal desta semana e registrou incríveis 170,2 milímetros de precipitação em 24 horas, segundo dados do CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas). Foi o segundo maior volume d’água em fevereiro nos últimos 77 anos.

Porém, as enchentes que mergulharam a região em caos, com vias intransitáveis, ônibus impedidos de seguir viagem e comércio fechado, não foram causadas apenas pela força da natureza (que pesou a mão contra os lapeanos). Faltou investimento em drenagem. Entre 2015 e 2019, quando Fernando Haddad, João Doria e Bruno Covas estiveram à frente da Prefeitura de São Paulo, a capital deveria ter recebido cerca de R$ 3,8 bilhões em “soluções antienchentes”. Porém, deste total, apenas R$ 1,1 bilhão realmente saiu do papel e virou realidade. Constam nesse pacote importantes obras de drenagem na região da Lapa, que deveriam ocorrer em paralelo à construção da Ponte da Raimundo, em Pirituba, uma das mais importantes obras viárias da zona noroeste (com reflexo direto na Lapa). O cálculo não leva em conta os serviços de zeladoria que são realizados em córregos e rios da capital, como remoção de entulhos e desassoreamento de calhas. Neste caso específico, nos últimos cinco anos, a previsão de gastos era de R$ 970 milhões – e 86% desse total foi realmente gasto.

Avenda Ermano Marchetti. Foto: Reprodução/Andre Lucas/ Estadão Conteúdo.
Orçamento

Os recursos estavam disponíveis e previstos no orçamento da cidade, mas não foram utilizados em sua totalidade – em nenhuma gestão. Em 2019, havia 513,5 milhões destinados à prevenção de enchentes, mas somente 189,4 mi foram aplicados. Há três anos, na passagem de Haddad para Doria, estimava-se um investimento de mais de R$ 1 bilhão, mas novamente apenas uma fatia da verba virou realidade – cerca de R$ 280 milhões. Os dados são da Secretaria Municipal da Fazenda.

Rua alagada na Leopoldina. Foto: Rahel Patrasso/ Reuters.
Comércio fechado

Sem as famigeradas obras de drenagem, o bairro submergiu em meio à tempestade. O Mercadão da Lapa – principal centro de abastecimento local – amanheceu fechado, assim como boa parte do comércio local. Alguns shoppings também encerraram suas atividades mais cedo, como o West Plaza, ou sequer abriram – como o Villa Lobos.

Na Ceagesp, maior entreposto da América Latina, a água invadiu os galpões na Leopoldina e os permissionários perderam seus estoques. “O Pinheiros entrou na Ceasa, imagina o quanto de sujeira não tinha lá. Nós não podemos operar nessas condições. Teremos que fazer a lavagem completa do entreposto”, afirma Cláudio Furquim, presidente do Sincaesp (sindicato dos comerciantes que atuam na Ceagesp). Para se ter ideia, segunda-feira é o dia de maior movimento no entreposto. É quando ocorre a reposição das mercadorias. Em apenas um dia, mais de 16 mil caminhões acessam o local transportando mais de 14 toneladas de produtos. Mas essa logística foi prejudicada pela chuva, suspendendo as atividades na Ceagesp.

Homem remando na Ceagesp. Foto: Reprodução.

A Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) estima um prejuízo recorde de R$ 140 milhões em toda a cidade.

Caos no trânsito
Avenida Mofarrej ainda apresenta pontos de alagamento nesta terça. Foto: Reprodução/TV Globo.

O caos no trânsito foi causado pelas diversas interdições que interromperam a circulação em vias importantes da região, como Barão do Bananal, Clélia, Robert Bosch, Tagipuru, Elísio Cordeiro de Siqueira, Ermano Marchetti, Gastão Vidigal, Pompeia, Embaixador Macedo Soares e Marquês de São Vicente. Foram 20 pontos críticos.

 

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