REGIONAL

Novo governo considera levar Ceagesp para zona norte

Quinta proposta prevê revitalização do entreposto e permanência no bairro

Publicado às 11h

Por Cristina Braga

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), não esmorece em seu propósito de tirar o maior entreposto
da América Latina da Vila Leopoldina. No mês passado, já mandou o recado: “É um equívoco ele ser federal; deveria ser estadual. Vamos mudar a Ceagesp de onde está”, disse. O grande problema, segundo ele, é o “enorme fl uxo de caminhões nas marginais, que cria barreiras para o desenvolvimento logístico do que entra e sai do entreposto”. Quanto ao futuro, Doria é enfático: “vamos levá-lo para a zona norte, à beira do Rodoanel, com acesso direto para a Rodovia Anchieta e o Porto de Santos”, crava o governador.

Dentre as quatro propostas apresentadas por três consórcios e uma empresa, em resposta ao chamamento público aberto pelo Estado em outubro de 2017 e encerrado em março de 2018, duas estão na zona norte: uma
em Santana do Parnaíba e outra em Barueri. O pré-requisito é que todas as localizações sugeridas sejam conectadas ao Rodoanel Mario Covas.

Ceasa na Raimundo?

A Companhia Paulista de Desenvolvimento (CPD) sugeriu um terreno de dois milhões de metros quadrados na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, na conexão dos trechos Norte e Oeste do Rodoanel, com investimento previsto em R$ 1,3 bilhões. O diretor do grupo, Taddeu Alves, confirma que, até mesmo antes do ex-governador
Márcio França deixar o cargo, “a proposta da CPD foi objeto de consideração”. Segundo ele, a área construída giraria em torno dos 500 mil m², em uma modelagem de estrutura técnica, jurídica e econômica.

Já a segunda proposta na região norte, do Novo Entreposto de São Paulo (NESP), totaliza quatro milhões de m² de terreno e 751 mil m² de área construída no quilômetro 26 da Rodovia dos Bandeirantes. O projeto contempla nove pavilhões para o comércio de alimentos, com túneis interligando os espaços, além de uma área de estocagem de produtos no subsolo.

Permanência com revitalização

Debatida há décadas, a mudança divide opiniões. Os comerciantes locais reclamam que não foram ouvidos e estão com medo de investir em seus negócios. Seis entidades, incluindo o Sincomat (Sindicato dos Comerciantes de Hortifrúti de São Paulo), reivindicam a permanência do entreposto na Leopoldina. “Ainda é o melhor lugar para recebimento de mercadorias, pois agrega cinco rodovias e duas marginais. Defendemos a revitalização e reforma do espaço”, garante Hilton Piquera, diretor do sindicato.

Segundo Piquera, há um cálculo de R$ 300 mi para fazer as reformas fundamentais e necessárias no complexo. Com uma área total de 700 mil m², a Ceagesp envolve números “estratosféricos”: são doze mil veículos pesados
circulando diariamente no local. Inegável, portanto, o gargalo de trânsito entre as marginais Pinheiros e Tietê, mas Piquera discorda que o tráfego de caminhões seja um empecilho na região. “Vai da meia-noite até o fim do dia, bastante diluído”, contemporiza. “Além do mais, logística envolve custos em qualquer produto. Se dificultar o acesso, como pedágio no Rodoanel, impactaria no preço final das mercadorias”, explica o diretor.

Piquera quer sentar-se à mesa com João Doria para apresentar a proposta. Já Carlos Spera, Superintendente da Apas (Associação Paulista de Supermercados), declarou que “pode haver aumento de custos por conta dos
investimentos a serem feitos nessa nova estruturação, como também uma redução nas despesas devido ao ganho de eficiência logística”.

O processo de mudança da Ceagesp está em negociação entre os governos federal, estadual e municipal. “A meta é conseguir avaliar e definir o novo projeto, incluindo a área, ainda em 2019. A destinação do terreno atual será dada separadamente da decisão do novo entreposto”, diz em nota a Secretaria de Estado da Agricultura. A privatização vale também para todas as 13 centrais de abastecimento espalhadas pelo interior. Fica a pergunta: com a saída da Ceagesp da Leopoldina, onde funciona desde 1966, o que poderá ser instalado nesse perímetro? Por enquanto, o endereço encontra-se na mira do PIU Leopoldina-Vila Lobos, que promete grandes intervenções urbanas na região.

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