SAÚDE

Diabéticos dizem que aparelho de glicose da Prefeitura não funciona

Secretaria da Saúde nega problemas e diz que as pessoas se confundem com novo aparelho

Publicado às 10h50

G1

Diabéticos que usam um aparelho para medir a glicose fornecido pela Prefeitura de São Paulo reclamam que a medição não é confiável. A Secretaria Municipal da Saúde, porém, nega que os glicosímetros estejam com problema e acrescenta que os aparelhos “estão em conformidade com os padrões de qualidade estabelecidos pela pasta”. Pacientes precisam medir constantemente o nível de glicose no sangue. Vitória Yumi Nishimura Vieira, de 9 anos, tem diabetes tipo 1 e utiliza oito vezes por dia o aparelho.

O exame consiste em pingar uma gota de sangue em uma tirinha, que por sua vez é colocada no glicosímetro. O aparelho da Prefeitura, porém, levanta dúvidas. “É muito ruim, porque ele está sempre errado, não dá para confiar nele”, disse a menina.

A mãe, Marcia, tem medo de injetar a quantidade errada de insulina. Por isso, comprou outro aparelho para comparar os resultados. Só que tem que gastar mais dinheiro com mais fitas descartáveis para fazer a medição extra. São R$ 400 a mais por mês.

“O da Prefeitura nós somos obrigados a utilizar. Se a gente não utiliza, eles tiram”, disse Marcia Nishimura. “Nós, como mães, é uma luta diária para a doença não deixar sequelas. Esse aparelho ele vai trazer para o futuro sequelas.”

O SP2 mostrou o problema com os glicosímetros no começo de março, pouco tempo depois de a Secretaria Municipal da Saúde trocar o aparelho de 115 mil pacientes.

Para a Prefeitura, a confusão é por conta da nova tecnologia. “As pessoas estavam habituadas com um aparelho há 10 anos”, disse Marcia Grasso, coordenadora do Programa de Automonitoramento Glicêmico da Secretaria da Saúde.

“Quando a gente muda de celular, a gente tem um desconforto e a gente se adapta”, exemplificou. Questionada se as pessoas podem confiar no aparelho, respondeu: “Com certeza. Nós confiamos nele”.

E-mails

Na terça-feira (8), a Prefeitura publicou no Diário Oficial um e-mail para empresas interessadas em fornecer novos aparelhos e tiras de medição de glicose.

Pacientes queriam usar o endereço para reclamar, só que ele não funciona. “Eu mandei ontem duas vezes e o e-mail voltou. Hoje de manhã eu mandei de novo. Novamente aconteceu o mesmo problema”, disse. “Eles colocaram no edital um e-mail inexistente. O que é um absurdo isso.”

A reportagem mandou uma mensagem teste às 9h24. Menos de um minuto depois, recebeu uma mensagem em inglês que diz: “A entrega do e-mail enviado falhou”.

Sem conseguir reclamar com a Prefeitura, o Marcelo César de Castro, diabético há 28 anos, resolveu ligar para a fabricante do aparelho. “Eles me informaram que eu estava fazendo a medição errada. Eu informei que eu sou diabético desde os 4 anos, há 28 anos eu faço atualização disso. E eles falaram que eu estava fazendo a medição errada.”

Confira a íntegra da nota da Secretaria da Saúde

A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo informa que os glicosímetros distribuídos atualmente aos pacientes cadastrados no Programa de Automonitoramento Glicêmico do município de São Paulo estão em conformidade com os padrões de qualidade estabelecidos pela pasta, com método de leitura atualizado, metodologia enzimática mais seletiva, melhor método de codificação das tiras reagentes e padrões de segurança para evitar contaminação cruzada.

É importante reforçar que todos os aparelhos com relato de não conformidade são recolhidos e substituídos quando constatado o defeito. Os usuários que tiverem dúvidas com relação ao funcionamento do glicosímetro devem entrar com contato com a Unidade Básica de Atendimento (UBS) onde está cadastrado para recebimento de insumos do programa, para orientação. Cabe esclarecer que de 130 mil glicosímetros adquiridos em regimento de comodato com a Indústria Química do Estado de Goiás-Iquego S.A., foram recolhidos com relatos de não conformidade, até o mês de fevereiro deste ano, 393 aparelhos – ou seja, 0,3% do total.

O e-mail [email protected] não é o canal indicado para os pacientes tirarem dúvidas sobre a utilização do aparelho, mas, sim, para interessados em pedir esclarecimentos ou apresentar sugestões sobre a minuta do edital de consulta pública em vigor para o registro de preços para o fornecimento de tiras reagentes para monitoramento de glicose.

Para os pacientes, é disponibilizado o programa GlicoSYS WEB, sistema online para monitoramento contínuo. A tecnologia permite o acesso rápido dos dados clínicos pelo site www.glicosys.com.br e oferece serviço de “Fale Conosco”, que possibilita o envio de dúvidas ou reclamações diretamente ao fabricante.

A pasta alerta ainda que não é recomendada a comparação de medidas entre monitores de glicemia, como o exibido pela reportagem no caso da paciente Vitória Yumi Nishimura Vieira, pois distorce a interpretação dos resultados e confunde o usuário da tecnologia. A paciente, inclusive, já foi atendida pelo fabricante e passou por avaliação laboratorial, que não apontou qualquer erro na medição do glicosímetro fornecido pela SMS.

Folha Noroeste

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