SAÚDE

Em crise financeira, hospital da USP fecha pronto-socorro infantil

A unidade só está prestando atendimentos em casos emergenciais já encaminhados por postos de saúde da região

Publicado às 9h10

Folha de SP

Mergulhado numa grave crise financeira e institucional, o Hospital Universitário da USP (Universidade de São Paulo) fechou, nesta terça-feira (21), o pronto-socorro infantil.

A unidade só está prestando atendimentos em casos emergenciais já encaminhados por postos de saúde da região. Pela manhã, um cartaz fixado na entrada da unidade avisava que o setor pediátrico estava com seu funcionamento comprometido.

O hospital é uma unidade pública de referência na zona oeste da capital paulista. Também serve como local de estudos aos alunos das áreas da saúde.

Foram o sucateamento e a fuga em massa de médicos que motivaram o início de uma greve de alunos de medicina da universidade, algo que não acontecia desde os anos 1970. O movimento grevista já dura oito dias.

Segundo a universitária Maria Luiza Corullon, presidente do Centro Acadêmico “Oswaldo Cruz”, o fechamento da pediatria já estava previsto porque a quantidade de médicos no setor não dá conta de atender aos plantões. “O ideal era ter 32 profissionais. Hoje, são 22”, diz.

Gerson Salvador, um dos diretores do Simesp (Sindicato dos Médicos de São Paulo) e que também trabalha no setor clínico do Hospital Universitário, afirma que a interrupção forçada dos atendimentos na pediatria é apenas um “primeiro nó” de uma trama tecida pela falta de gestão. “Cerca de 25% dos leitos de internação e 40% da UTI [Unidade de Terapia Intensiva] estão fechados por falta de médicos.”

“No total, o hospital tem 20% a menos de profissionais hoje que existiam nos últimos dois, três anos. Esse número não foi reposto e o hospital entrou nessa situação”, complementa Salvador.

OUTRO LADO

Até esta publicação, a USP não havia se manifestado sobre o bloqueio dos atendimentos na área infantil do hospital. Já a Faculdade de Medicina da USP diz, por meio de nota, que não está medindo esforços para que o hospital “supere a crise pela qual atravessa.”

“Assim, procuramos construir consenso para viabilizar um convênio entre a Secretaria Municipal de Saúde e a reitoria da universidade.”

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que, em 31 de outubro, encaminhou ao Hospital Universitário (HU) minuta de termo de convênio para contratação de médicos para a unidade. Segundo a secretaria “em 13 de novembro, porém, durante reunião na sede do Cremesp, a pasta tomou ciência de uma proposta alternativa apresentada pelos médicos, estudantes e comunidade local. Além disso, nesta terça-feira (21) foi verificado que a unidade também está inscrito no Cadin [cadastro de devedores] municipal, o que impede novos repasses pelo município”, afirmou.

 

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