SAÚDE

Novembro Azul: É hora de falar sobre câncer de próstata

Publicada em 04/11/2020 às 10h39

Por Eduardo Fiora (via Observatório Leopoldina)

Sem medo e livre de tabu, vamos direto ao assunto que impacta na saúde dos homens: o câncer de próstata. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que 65,8 mil homens devem ser diagnosticados com câncer de próstata neste ano.

A próstata é uma glândula masculina que envolve a parte superior da uretra – o canal por onde passa a urina. Ela não é responsável pela ereção nem pelo orgasmo, sua função é produzir um líquido que vai ser parte do sêmen.
Dito isso, o câncer de próstata é o crescimento descontrolado de algumas células do corpo que geram tumores cancerígenos. Como já acontece todos os anos, o mês de novembro é integralmente dedicado para reforçar o alerta e a importância da conscientização a respeito de doenças masculinas, com ênfase na prevenção do câncer de próstata, mais frequente entre os homens brasileiros, depois do câncer de pele.

Em sua fase inicial, o câncer da próstata tem evolução silenciosa. Muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata – dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou a noite. Na fase avançada, pode provocar dor óssea, sintomas urinários ou, quando mais grave, infecção generalizada ou insuficiência renal. Confira o que o professor Adagmar Andriolo, médico patologista clínico, professor da Escola Paulista de Medicina e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial tem a dizer sobre esse assunto.

Quais são os sintomas mais frequentes do câncer de próstata?

O câncer de próstata em estágio inicial praticamente não possui sintomas, mas em estágio avançado pode causar, por exemplo, micção frequente, fluxo urinário fraco ou interrompido, impotência, presença de sangue no líquido seminal, dor ou ardor durante a micção, fraqueza ou dormência nas pernas ou pés, e perda do controle da bexiga ou intestino, devido à pressão do tumor sobre a medula espinhal. O paciente pode, ainda, sentir dores nas costas, quadris, coxas, ombros ou outros ossos, nos casos nos quais a doença já se encontra muito avançada.
Quais são as recomendações para a detecção precoce do câncer de próstata?
Recomenda-se que todos os homens com mais de 50 anos façam o exame digital da próstata, pois em cada seis homens acima dos 50 anos, um é acometido pela doença. Entretanto, a maior prevalência do câncer de próstata ocorre em homens com mais de 60 anos. Em cada 10 casos diagnosticados, o paciente possui mais de 65 anos em seis deles. Aqueles que possuem um alto risco de desenvolver a doença são os que têm um parente de primeiro grau (pai, tio, irmão) que teve diagnóstico de câncer de próstata antes dos 65 anos. Neste caso, aconselha-se que a investigação seja feita a partir dos 45 anos e dos 40 anos para aqueles com mais de um parente de primeiro grau diagnosticado em idade precoce.

Quais são os exames/métodos mais eficazes para a detecção do câncer de próstata?

O exame digital da próstata (toque retal) e a dosagem sanguínea do PSA (Antígeno Prostático Específico) são os procedimentos básicos e complementares para o início do rastreamento. Na sequência, deverá ser avaliada a necessidade de exames de imagem como Ultrassonografia Transretal, Cintilografia Óssea, Tomografia Computadorizada, Ressonância Magnética e/ou Varredura ProstaScint. Dependendo dos resultados, o médico pode indicar a realização de biopsia para fazer a graduação pelo sistema de Gleason.

Com o PSA, é possível dispensar o exame pela via retal?

Não. Com o toque, pequenos tumores podem ser percebidos e, muitas vezes, não são detectados pelos níveis do PSA. Com a realização de ambos, cerca de 90% dos casos de câncer são detectados. O PSA é um biomarcador imperfeito, pois a dosagem do PSA para todos não está isenta de acarretar falsos diagnósticos e excesso de tratamento cirúrgico. Por isso, a tendência atual é fazer uma seleção mais rigorosa dos indivíduos que precisam ser testados, incluindo os que apresentam história familiar de câncer de próstata com evolução rápida e aqueles nos quais o ultrassom e a biópsia mostrem alterações significativas. Apesar de não ser um biomarcador ideal, o PSA representa a mais bem-sucedida experiência de utilizar um marcador sorológico de neoplasia em escala mundial. O seu uso criterioso, junto com outros recursos como o exame de toque retal, tem contribuído para o diagnóstico precoce e adoção de tratamento adequado dos pacientes e, principalmente, tem ajudado a salvar muitas vidas. O intervalo entre os exames de rastreamento depende dos resultados do PSA: homens com PSA menor que 2,5 ng/ml a cada dois anos, e anualmente para os homens cujo nível de PSA é maior ou igual a 2,5 ng/ml.

O exame de toque retal ainda sofre preconceito?
Sim, por isso aproveitamos a campanha Novembro Azul em prol da conscientização sobre o câncer de próstata para disseminar a importância do exame de toque para o diagnóstico eficaz. Esse tipo de exame pode ser desconfortável para o paciente, mas é rápido e não provoca dor. (Fonte: Sociedade Brasileira de Análises Clínicas)