SAÚDE

Pets podem ser infectados pelo coronavírus? Doença também dá medo em quem tem animais de estimação

Publicado em 09/03, às 8h40

Por Gabriel Cabral

O mundo não fala de outra coisa (e com razão). O novo coronavírus já matou milhares de pessoas. O país mais atingido pelo vírus é a China, com mais de 2.700 vítimas. No Brasil, há mais de 200 pessoas com suspeita da doença, porém, até o fechamento da reportagem, apenas duas foram confirmadas com a patologia. Ambas estiveram em viagem pela Itália, país europeu que já conta com mais de mil suspeitos e 29 mortes. Com o clima de pânico que surge ao redor do planeta, fica a pergunta: e os animais? Eles também podem ser contaminados pela nova “versão” do vírus?

A Folha Noroeste entrevistou Melissa Valentini, médica infectologista do Grupo Pardini, que explicou a situação em torno da perigosa doença, que causa infecções respiratórias. Fazem parte dos sintomas: febre, tosse e dificuldade para respirar. Atualmente, há cinco versões diferentes do vírus, o que inclui a nova. “Primeiramente, coronavírus é uma grande família de vírus. A grande maioria dos coronavírus são vírus que infectam animais”, conta. Ela ressalta que o vírus ataca espécies específicas e, por isso, não é comum encontrar algum pet – como cachorros e gatos – com a doença. Para que ele atinja animais ou humanos, “é preciso que haja uma mudança genética no vírus”.

Melissa ainda explica que há poucas informações sobre o novo coronavírus e que não há evidências – ainda – de que animais domésticos possam infectar seres humanos e vice-versa.

Cachorros com máscaras em Xangai, na China. Foto: Reprodução/Noel Celis/Afp.
Origem

A médica infectologista também destaca que, aparentemente, o vírus surgiu de morcegos e teve como intermediário um pangolim (mamífero conhecido na região asiática). Ainda é necessário entender que na China há uma grande concentração de pessoas e que tal população tem hábitos diferentes de higiene em comparação com o Brasil, inclusive no que tange a alimentação, em que a contaminação é mais efetiva.

Na China, mais especificamente em Hong Kong, um cachorro foi colocado em quarentena após testar positivo para “baixo nível” de coronavírus. Sua dona já havia sido infectada pela doença, mas ele não sofre com os sintomas causados pela enfermidade. Apesar da infecção, o porta-voz do Departamento de Agricultura, Pesca e Conservação do território semiautônomo da China afirmou que não há “evidências de que animais de estimação possam ser infectados com o vírus Covid-19 ou ser uma fonte de infecção para as pessoas”.

Nos anos 80, uma versão do coronavírus não infectou homens, porém, estima-se que, em apenas um ano, o vírus matou 80 mil cachorros em São Paulo. Ele atingia em grande escala os cães e desenvolvia uma patologia gastrointestinal, diferente do novo vírus que afeta o sistema respiratório dos seres humanos.

Piritubana visita a Itália
Roma, na Itália. Foto: Reprodução/Vincenzo Pinto/AFP.

A designer Paula Belluomini é moradora de Pirituba e programou uma grande viagem para a Itália. Ela ficará no país por volta de dois meses. Com o surto da doença, ela se preparou com informações e objetos, como máscaras, para que possa continuar saudável em solo europeu. Ela concedeu entrevista à Folha Noroeste e falou sobre suas primeiras impressões no país. No aeroporto paulista, segundo a jovem, havia muitas pessoas de máscaras, mas no avião nem tantas. No voo, entretanto, houve avisos e alertas sobre os riscos e a doença. “Desembarquei em Milão, lugar onde tem mais casos. Algumas pessoas do aeroporto estavam usando máscaras, nós inclusive [ela, seu irmão e outros acompanhantes], mas não eram maioria. Tinham funcionários do aeroporto medindo a temperatura de todos que estavam chegando. Não vi ninguém sendo barrado. Nós pegamos o trem lá no aeroporto e fomos para Bolonha, então não vimos em que situação estava a cidade”, contou. “No trem, havia algumas pessoas com máscaras, mas a maioria estava sem. Em Bolonha, já não tinha ninguém [de máscara]. Passamos a primeira noite lá. Ninguém parecia muito preocupado com isso. Pouquíssimas pessoas de máscaras. Nos trens, estavam dando alguns alertas também”, afirmou.

A reportagem ainda questionou se a piritubana avistou pessoas passeando com animais pelas ruas. “Em Bolonha e onde estou [Comugnano], sim. Ninguém parece muito preocupado, especialmente nesta localidade, que fica no alto do morro, a menos de 50 km de Bolonha.”

Cuidados

Melissa destaca que, apesar do coronavírus não atingir letalmente os pets, há outras doenças que podem ser passadas entre os bichinhos de estimação e seus donos. “Há vários parasitas, vermes e bactérias que podem ser transmitidos de animais para humanos”, revela a infectologista. Além disso, ela relembra cuidados básicos para evitar transmissões. “Devemos ter o cuidado de sempre mantermos o animal vermifugado. O ideal é que gatos domésticos não fiquem soltos para evitar que tenham contato com outros animais que possam transmitir doenças para eles. Ao fazer carinho, por exemplo, não se pode esquecer de lavar as mãos com água e sabão. Isso também vale para o momento de retirada das fezes do animal: utilize uma pá e lave bem as mãos”, afirmou. Com a situação, é possível respirar tranquilo – por enquanto – em relação aos pets, porém, todo cuidado é pouco quando o assunto é a sua própria saúde.

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