COTIDIANO

Exclusivo: SESC compra a Casa de Nassau em Pirituba

Publicado em 15/07/2020 às 12h19

Por Cristina Braga

Patrimônio histórico de Pirituba, a Sociedade Holandesa, Casa de Nassau, do alto dos seus 93 anos ( fundada em 23/2/1927) acaba de encerrar suas atividades no bairro. Lembrada pelas festas, solenidades, quatro quadras de tênis no local, e sua piscina semi-olímpica, nos últimos 10 anos iniciou um ‘namoro’ com diretores do SESC que já planejavam adquirir o espaço para implantar uma unidade no bairro. Mas até o ‘casamento’ ser consolidado muita água passou debaixo da ponte. Só foi concretizado no último dia 1º de Julho deste ano, quando o SESC bateu o martelo e comprou o icônico clube holandês.

Desde a inauguração do seu vizinho, o Instituto Federal de Educação (IFSP), em 2016, muitas reivindicações foram feitas pela comunidade ressentida por um espaço que contemplasse lazer e cultura. Houve uma negociação em curso por parte do SESC para que, parte do terreno do câmpus Pirituba (de 67 mil m²) – já concedida por 90 anos pela Prefeitura ao Instituto-, fosse cedido à entidade do comércio, que já tinha plano de expansão.

Vereador Eliseu Gabriel na conquista dos equipamentos

O vereador Eliseu Gabriel (PSB) acirrou a luta para trazer o IFSP ainda na com a gestão Fernando Haddad (em 2013) e o SESC para o bairro, comemorando a assinatura de concessão, finalmente ,do terreno para o SESC por 99 anos, numa área de 22 mil m², na FECOMERCIO,  concretizada em 17 de fevereiro de 2020. Finalmente ali, o Piritubano teve o que comemorar. Mais um passo gigante havia sido dado, para a incorporar o equipamento no território.

Danilo Santos de Miranda, diretor geral do SESC junto com o parlamentar reconhecem a importância da unidade para os moradores. O ‘presente’ para a comunidade só ficaria completo com a aquisição da Casa de Nassau cuja área (24.852 m²) faz fronteira com o IFSP. Assim, poderia ser feita uma “unidade robusta, nos moldes da Interlagos e Itaquera rodeada de muito verde”, enfatiza o diretor.

Dívidas
Numa mistura de tristeza e alegria, ao encerrar as atividades, o presidente da Casa de Nassau Ivo Cerrati recolheu as placas de bronze, e já entregou as chaves para o SESC, no começo de julho. Ivo explica que o valor pago “foi bem aquém (60% a menos) do mercado imobiliário para a região, mas possibilitou a transferência do clube para a população de Pirituba”.

À frente do clube há 13 anos, ele resistiu ao longo do tempo,viu desabar os 220 sócios da época para os 43 atuais. Sobreviveu com a locação das quadras de tênis que, em parte, pagava as despesas.Ainda assim, o Clube amargou prejuízo tributário: acúmulo de R$ 2 milhões em impostos. Só em 2020, o imposto (IPTU) ficou em R$ 250 mil. ” Na realidade, a Prefeitura tributou a área gramada e nós já havíamos reivindicado a redução desse tributo porque em 2015, conseguimos esta liberação. Demos entrada no processo de isenção , mas em 2018, tivemos a surpresa desagradável de que decreto que nos beneficiava foi cancelado”, lamenta Cerrati.

Com o dinheiro, e os tributos saldados, a Casa de Nassau ainda conservará na memória o símbolo que a caracteriza: O moinho de vento , embora não seja original, existente na entrada de acesso ao clube, na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães e a casa sede principal ficarão preservadas. Ambos foram tombados em 17 de junho de 2016 pelo Conpresp (Conselho do Patrimônio Histórico Municipal). E viva o SESC Pirituba que passará a contar uma nova história para o bairro.

Foto: Folha Noroeste