ESPAÇO DO LEITOR

Opinião – A calçada é para quem anda, vende ou dirige?

Publicado às 12h50

Por Cláudio Cruz

Caminho diariamente pela Avenida Cônego José Salomon, na Vila Portugal, e gostaria de sugerir aos comerciantes e moradores da região que mantenham a calçada do lado par em condições, no mínimo, razoáveis, sem obstruir a passagem com veículos ou mesas e cadeiras. Infelizmente, a cidade de São Paulo não respeita o pedestre – esta é a realidade. As calçadas daqui não são construídas com a fi nalidade de permitir a livre circulação de pessoas.

Proprietários de imóveis, locadores ou locatários adaptam as calçadas às suas necessidades específicas, sem entender que elas deveriam facilitar a locomoção de pessoas – simples assim. São degraus e outras obras de engenharia absurdas, tudo construído para facilitar o acesso de veículos às garagens – afinal, carro é o bem mais precioso do paulistano.

Aliás, a maioria esmagadora dos motoristas acha que a calçada é preferencial de seu veículo. Também há comerciantes que fazem dela a extensão de seu negócio, distribuindo mesas e cadeiras indiscriminadamente (a maioria sem a devida licença dos órgãos públicos). E, para piorar, lojas de todos os tipos espalham seus produtos em exposição do lado de fora.

Não sei se a cidade possui um Plano de Licenciamento de Uso e Ocupação de Espaço Público – afinal, a calçada é um espaço público. Cada morador ou comerciante utiliza materiais dos mais diversos para pavimentar sua calçada. São cerâmicas e porcelanatos totalmente impróprios para a circulação de pessoas, sem falar na inclinação absurda da maioria dos passeios.

Finalmente, 90% das calçadas desta cidade estão em péssimas condições de conservação. Isso quando existe uma de alvenaria. Não à toa, idosos e mulheres com crianças ou carrinhos de bebê não têm a mínima chance de circularem com segurança.