REGIONAL

Pavilhão da Ceagesp é tema de estudo na USP que defende tombamento

Publicado em 18/11/2020 às 10h22

Por Eduardo Fiora ( Observatório Leopoldina)

“Um edifício entendido como uma repetição linear padronizada de um mesmo elemento construtivo-estrutural: 17 pares de pilares de concreto armado em forma de Y inclinados 8º em relação ao solo com 14,5 metros de altura e espaçados de 13 metros em 13 metros. Cada uma dessas duas fileiras é amarrada por uma viga-calha, apoiada em uma das extremidades do Y. A outra extremidade está contraventada (protegida) por uma marquise de laje nervurada em concreto armado. Este travamento conferido pela marquise, permite que os pilares sejam relativamente esbeltos, conferindo elegância à imagem total da solução estrutural”.E assim que em 2019, João Bittar Fiammenghi, aluno de graduação em arquitetura e urbanismo na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), descrevia, num trabalho acadêmico, o Pavilhão MLP (mercado Livre do Produtor) do entreposto da Ceagesp, na Avenida Gastão Vidigal.

Este Observatório, faz tempo, defende o tombamento do MLP, que precisa ser preservado como patrimônio numa eventual saída da Ceagesp da Leopoldina. Em seu trabalho acadêmico, Fiammenghi também se posiciona em relação à preservação do grande e belo pavilhão. . A inclusão dos anos 50, 60 e 70 como décadas de uma produção arquitetônica de interesse para instituições de patrimônio histórico e cultural é algo crescente, a conformação de uma política adotada por estas instituições na cidade de São Paulo. Entretanto, o pavilhão do MLP ainda não foi tombado por nenhuma das esferas de salvaguarda e proteção do patrimônio histórico, federal, estadual e municipal, mesmo estando situado em uma região onde confluem interesses de renovação urbana e imobiliários, tendência clara em grande parte das orlas ferroviárias-industriais-fluviais da cidade de São Paulo”.

Marcelo Fiammenghi cita, como caso exemplar da preservação de bens arquitetônicos modernos que fazem parte da rede de infraestruturas urbanas, o tombamento realizado no ano de 2017 pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) de algumas estações da linha 1-Azul do Metrô de São Paulo (antiga linha Norte-Sul) projetadas pela equipe coordenada por Marcelo Fragelli. As estações tombadas, Liberdade, Armênia (antiga Ponte Pequena), Portuguesa-Tietê (antiga Tietê) e Santana são, segundo ele, testemunhos importantes do período da arquitetura moderna brasileira.

Em outubro deste ano, o Sincomflores ( Sindicatos atuantes na Defesa dos Permissionários do Setor de Flores), entrou com pedido de tombamento do MLP junto ao Conpresp. É no MLP que que acontece duas vezes por semana (terças e sextas) a tradicional Feira das Flores, tendendo atacado e varejo, com milhares de visitantes.

(Fotos: Ceagesp)